Confiança nas promessas! |1 em 365|

A verdade é que quando se faz uma promessa, a intenção inicial é cumprir. Mas a verdade também muda como a forma de pensar.

Hoje é o primeiro dia do ano, logo é o primeiro dia que se tenta fazer um bando de promessas que irão perder valor ao longo dos trezentos e sessenta e cinco dias ou então a preguiça é mais forte e nada nasce desse jardim não trabalhado. Deste pensamento surge Ana Francisca. Como estudante de literatura, Ana sonha um dia ser escritora. Não por ser talentosa ou por ser aplicada. Sonha por ser uma sonhadora nata sem mãos à obra. Cria mil e um projetos na cabeça, mas nenhum chega a ser transferido para o papel. Cria mil e um cenários, mas nenhum tem a forma dada pela caneta. Sonha em ser escritora, mas não há escrita… Apenas o sonho.

Ana vive num lugar perto da universidade, rodeado por um parque. Esse parque é distração suficiente para dar inspiração sem vontade de escrever. Ela tem que atravessar esse parque para o seu trabalho. Oh, é uma pequena pastelaria num segundo andar de um prédio… Mesmo por cima de um café. Ana não gostava do cheiro de tabaco, por isso, Catarina ia buscar os doces ao segundo andar. Ela não se importava com o cheiro nem de fazer esse favor à amiga. E quem era Catarina? Uma aventureira sem destino. Não se preocupava com o futuro pois não há sonhos lá. Trabalha no café durante a noite e durante o dia está no segundo andar a ajudar o chefe a fazer tatuagens. Três negócios num. Um forte cheiro a tabaco e café, com o doce sabor de doces caseiros, acompanhado com a dor de uma arte marginal na pele. Essa era a visão de Ana.

Quinta-feira era feriado, e como Ana não tinha aulas, queria ir embora para o aconchego da sua casa. Mas a Catarina disse que era preciso a ajuda dela no café. Oh, que miséria! Ana odiava o café. Fazia doer a cabeça. Mas confirmou a sua presença. Aliás, Catarina era a sua amiga e precisava dela. Custou não ir embora. Custou principalmente ficar para algo que não gosta. Mas prometeu. Uma promessa é uma promessa. O que poderia acontecer até lá?

Catarina estava à espera da Ana no parque de estacionamento. Ana estava atrasada. Catarina não queria acreditar que a Ana faltasse à sua promessa. Ela prometeu. Catarina foi avisar o chefe que estava a fazer uma tatuagem numa senhora com saudades da juventude. Ela queria dizer que ia ficar sozinha no café. Ana faltou ao seu trabalho… Ana faltou à sua promessa… Ana faltou à sua amiga. Catarina estava desiludida. Não havia justificação, certo?

Ana foi. Quando chegou, já não era preciso. Catarina estava à sua espera, lágrimas nos olhos, frio na pele e dor no peito. Oh, a desgraça… Pior do que faltar a uma promessa? Talvez. O que se passara? Porque não há trabalho? O café não abriu como prometido, porque não havia ninguém a servir. Não havia doces também, porque não havia ninguém para os fazer. Havia uma vítima que tatuou o seu final em alguém…

Apenas Catarina viu o final terrível do seu chefe… Mas prometeu não contar.

AFDias

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